O elefante e o escorpião foram encarregados de organizar um time de futebol para desafiar a bicharada. Procuraram ser imparciais o mais que puderam, mas não conseguiram integralmente seus objetivos. O ego falou mais alto e acabaram deixando pelo caminho rastros de suas tendências pessoais.
O escorpião foi logo querendo ser o treinador,
sugerindo a utilização da “TÁTICA DO ESCORPIÃO”, que acabou sendo aceita pela
Comissão Técnica. O elefante, por outro lado, consciente do seu peso, preferia
mandar. Ele não jogava, mas tinha a chave do cofre.
Depois de uma reunião realizada entre os
interessados ficou decidido que para organizar um time de futebol que possa
impor respeito, é necessário ter em mente alguns requisitos básicos.
Pense primeiro na disciplina e na ordem. Para isso é
preciso ser como um técnico que funcione como domador de feras em um grande
circo. Se o domador não respeitar as feras ou estas não respeitarem o domador, não
haverá qualquer possibilidade de sucesso. Mas é imprescindível também o
respeito entre as feras, a Comissão Técnica e a Diretoria. O torcedor só vai
abraçar o clube quando estiver seguro. Clube de futebol profissional sem
torcida não tem condições para sobreviver.
O segundo requisito é a competência. Primeiro do
técnico, que precisa saber escolher os elementos certos para cada posição,
inclusive de seus auxiliares diretos que devem integrar a comissão técnica. Não
adianta, por exemplo, colocar como goleiro o elefante. Especialmente porque a
indicação do macaco parece ser unanimidade. Agilidade, inteligência, segurança
para trabalhar com as mãos, podendo ainda contar com o auxílio do rabo. O rabo
é fundamental para um goleiro. Mas como o escorpião era titular dos “direitos
autorais” sobre a tática que seria utilizada, acabou sendo indicado como
reserva do macaco na meta. A comissão entendia até que aquele enorme ferrão,
verdadeiro guindaste venenoso, pudesse funcionar como elemento de inibição para
os atacantes adversários, mas o macaco era titular absoluto.
− O esquema de jogo: − Quatro de cada lado, como se
fossem as pernas do escorpião, e três peças isoladas para dar flexibilidade ao
conjunto.
O goleiro é arisco, como vocês viram. Um sagui que
joga com os pés, as mãos, o rabo... Mas quando é preciso usa a cabeça.
No centro da estrutura o tigre, (10), comandando o setor
de inteligência do time. Aquele que faz a ligação entre a defesa e o ataque. Quem
não souber o que é isso, pense no Gerson da seleção brasileira, aquele baixinho
que levava vantagem em tudo, com seus passes magistrais que buscavam um avante
isolado no lado oposto do campo aguardando o lançamento para o lateral direito,
ansioso para fazer o cruzamento ao “Furacão ” que invadia a área velozmente pelo centro.
Para garantir o municiamento das jogadas ofensivas,
e fazer “transição”, um quarteto de respeito com a tarimba de leões para
encontrar o jeito sem fazer afobações.
Mais à frente, dois lobos jovens para cuidar da
marcação e arrastar o trenó nos momentos em que se vai ao ataque. Logo adiante
outros dois lobos ágeis e eficientes no passe, seguindo
a orientação do tigre, que controla o andamento do jogo, em contínuo
revezamento com um leopardo experiente que já conhece o caminho da mina.
Isolado na frente da meta adversária, um leopardo
jovem, ágil e forte, que suba mais do que os outros, para colocar a presa na
forquilha mais alta, fora do alcance dos adversários. Esse é o nosso time.
GSS/17/09/2020