Ontem
vi pela TV São Paulo x Atlético Paranaense. Minhas decepções se acumularam. Não
consigo entender como pode desandar, de uma hora pra outra, como num passe de
mágica, uma equipe que parecia entrosada e mostrava um futebol de boa qualidade,
até com alguma segurança. Não acho que o
Aguirre tenha culpa pelo que vem acontecendo no segundo turno. Mas a torcida
não quer saber. Começa logo a chamar o técnico de burro.
Poucos são os
que pensam e levam em consideração fatores que podem não ser de seu
conhecimento para justificar o comportamento da equipe. Como a aplicação
pessoal do atleta nos treinamentos, sua maior adaptação ao esquema utilizado,
seu espírito de equipe, o fato de estar descansado para ser mais rápido nos
passes e permitir puxar os contra-ataques com maior efetividade; suas reações
positivas ou negativas no caso de uma substituição de ordem tática.
Outras vezes o
jogador, na ânsia de participar do jogo, esconde um problema físico que o
impediria até de ser relacionado para participar da partida. Isto é mais
freqüente do que se pensa.
Não se pode
esquecer que uma substituição feita sem critério pode desmotivar o atleta,
desvalorizar o patrimônio do clube, gerar a desconfiança do elenco.
Mas o técnico
sabe disso. Um técnico consciente não vai fazer substituições apenas para
satisfazer seu ego. Se a substituição não dá resultado, ele é o primeiro burro
a ser substituído.
Quando o time
está ganhando, esses problemas deixam de existir. Tudo se transforma num mar de
rosas. A bola bate na trave e entra; o juiz erra a nosso favor; os jogadores
não são expulsos nem se machucam, e todo mundo passa a sorrir e a elogiar o
técnico.
Quando desanda
a perder tudo se complica. E o primeiro sintoma é a perda da confiança própria.
A bola chega e sai como se fosse uma batata quente. Os passes para traz e para
os lados aumentam de forma impressionante na ordem inversa dos acertos; aumenta
o número de cartões amarelos e de expulsões, e as contusões são mais
freqüentes.
Quando o medo
de errar se instala no espírito do grupo, é preciso estar esperto para que o
time não role ladeira baixo como uma bola de neve.
Mas o mesmo
técnico burro de hoje, pode se tornar um gênio amanhã. Basta ganhar um título
ou algumas partidas importantes. Temos visto isto acontecer com todos eles.
Perguntem ao Luxemburgo, Felipão, Leão, Tite, Mano Menezes, Muricy, Cuca, Abel
Braga, Dorival Júnior, Renato Gaúcho e os que chegaram depois.
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